GUIA SUPLEMENTARIA
Encontre por ingrediente: o que observar no rótulo
Comprar pelo ingrediente é o caminho de quem já sabe o que procura — falta só garantir que o pote escolhido entrega o que promete. Este guia mostra, ingrediente por ingrediente, qual é o número que compara, quais formas existem, onde os rótulos costumam confundir e como calcular o preço por dose de cada um. No fim, uma tabela-resumo reúne tudo em uma olhada.
Resumo em 20 segundos
- Cada ingrediente tem UM número de comparação — gramas de creatina, mg de magnésio elementar, EPA + DHA somados, UFC de probióticos. O resto do rótulo é contexto.
- Forma importa tanto quanto quantidade. Monoidratada, bisglicinato, triglicerídeo, tipo II: a forma muda a conta e às vezes muda a régua inteira.
- A porção declarada nem sempre é a sua dose. Para ingredientes puros, compare pelo grama, não pelo scoop.
- Preço por dose fecha a conta — mas só entre produtos equivalentes, como ensina o guia Preço por dose.
O método: 4 perguntas para qualquer ingrediente
Antes de entrar em cada ingrediente, o roteiro que vale para todos eles. Diante de qualquer rótulo, pergunte:
- 1. Qual é a forma? O mesmo nome de ingrediente cobre matérias-primas diferentes — e a forma determina quanto do ativo você recebe de fato.
- 2. Quanto do ativo há por porção? Não o peso do pó nem o tamanho da cápsula: a quantidade do ativo em si, que é o número de comparação.
- 3. O que mais vai na fórmula? Produto puro tem lista de ingredientes curta. Blends somam carboidratos, aromas e outros ativos — o que dilui a comparação direta.
- 4. Quanto custa a sua dose? Preço dividido pelo rendimento real, na dose que você usa.
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Creatina — força e desempenho na repetição
A creatina auxilia no aumento do desempenho físico durante exercícios repetidos de curta duração e alta intensidade — é a alegação reconhecida para o ingrediente e o motivo de ela ser um dos suplementos mais estudados do mundo. A boa notícia para quem compara: é também um dos rótulos mais simples de ler.
O que conferir no rótulo
- Forma: a referência dos estudos é a creatina monoidratada. "Micronizada" é a mesma molécula em partícula menor, que dissolve melhor no copo — diferença de conveniência, não de resultado. Formas alternativas mais caras (alcalina, HCL, éster) não demonstraram vantagem sobre a monoidratada nos estudos disponíveis.
- Pureza: produto puro lista praticamente um ingrediente. Selos de matéria-prima (como Creapure®) e laudos de análise de terceiros são a prova documental — a nossa Crea Puracy, por exemplo, publica laudo da Eurofins atestando 100% de pureza.
- Dose: os protocolos clássicos trabalham na faixa de 3 a 5 g por dia, todos os dias — constância importa mais que horário. A porção do rótulo varia entre marcas, então confira quantos gramas há por dose e quantas doses o pote rende de verdade.
Como comparar o preço
preço da sua dose = (preço ÷ peso total em g) × sua dose em g
Como a colher-medida muda de marca para marca, a conta imune a scoop é pelo grama. Um pote de 300 g rende 100 doses de 3 g — independentemente do que a colher diga. Blends com carboidrato mudam a categoria do produto: compare creatina pura com creatina pura.
Proteínas em pó — o músculo se constrói por grama
As proteínas auxiliam na formação dos músculos e ossos — e é por isso que a régua aqui é o grama de proteína, nunca o peso do pó: uma dose de 30 g de whey não é 30 g de proteína.
O que conferir no rótulo
- Proteína por porção e o percentual proteico do pó (proteína ÷ porção). É o primeiro corte entre concentrada, isolada e blend.
- Fontes na lista de ingredientes: só soro do leite? Soro + colágeno + proteína vegetal? Fontes diferentes têm perfis de aminoácidos diferentes — grama de proteína só vale o mesmo quando vem da mesma fonte.
- Aminograma: quando declarado, é o retrato da qualidade. Um dado que surpreende: por grama de proteína, concentrada e isolada empatam em leucina (~10,7 a 11 g por 100 g de proteína) — a isolada entrega mais por dose porque traz mais proteína por scoop, não porque a proteína dela seja "mais rica".
- Lactose e carboidratos: o que separa os tipos na prática diária, especialmente para quem tem desconforto digestivo.
Este é o ingrediente com mais camadas de comparação — por isso ele tem dois guias inteiros dedicados: Como escolher sua whey (concentrada, isolada ou hidrolisada) e Preço por dose (a conta do preço por grama de proteína, feita na sua frente).
Aminoácidos isolados — glutamina, beta-alanina e BCAA
Vale a mesma lógica da creatina: são pós de ingrediente único, e a comparação honesta é por grama do ativo.
- Glutamina: produto puro lista um ingrediente (L-glutamina) e trabalha com porções na faixa de 5 g. Confira o peso total e faça a conta pelo grama.
- Beta-alanina: os protocolos dos estudos somam de 3,2 a 6,4 g por dia, em doses divididas, por semanas — é ingrediente de constância, como a creatina. O formigamento passageiro na pele (parestesia) é efeito conhecido e transitório da dose alta de uma vez; doses menores ao longo do dia contornam. No rótulo de pré-treinos, confira quantos gramas a porção realmente carrega.
- BCAA: o rótulo declara a proporção entre leucina, isoleucina e valina (2:1:1 é a clássica). Compare os gramas de leucina por dose — e lembre que uma dose de whey já carrega BCAA completos; veja o aminograma antes de somar produtos.
Magnésio — a pegadinha do elementar
O magnésio auxilia no funcionamento neuromuscular — e é o rótulo onde mais gente compra gato por lebre, por um detalhe de química: "500 mg de magnésio dimalato" não são 500 mg de magnésio. O composto inteiro pesa 500 mg; o magnésio de fato (o "elementar") é uma fração disso.
O que conferir no rótulo
- Magnésio elementar por porção: o número de comparação. Rótulos completos declaram "X mg de magnésio" acompanhado do %VD — use o %VD como régua entre marcas, não os miligramas do composto.
- Forma: cada uma combina o mineral com um "carregador" diferente, o que muda solubilidade, tolerância digestiva e quanto magnésio cabe em cada cápsula.
| Forma no rótulo | O que é | O que observar |
|---|---|---|
| Óxido | Forma mineral simples | Mais elementar por grama, porém menor solubilidade; comum em fórmulas econômicas |
| Citrato | Ligado ao ácido cítrico | Boa solubilidade; presença tradicional nos estudos |
| Dimalato | Ligado ao ácido málico | Popular no Brasil; confira o elementar declarado |
| Bisglicinato (quelato) | Ligado ao aminoácido glicina | Costuma ser bem tolerado pelo estômago; menos elementar por cápsula — veja quantas formam a dose |
| Treonato e outros | Formas ligadas a carregadores específicos | Mais caras; compare o elementar por porção antes do preço |
E o "Magnésio Inositol" das prateleiras? Não é uma forma de magnésio — é uma combinação de dois ingredientes: magnésio (em alguma das formas da tabela) + inositol, declarado à parte com a própria quantidade. A leitura é a mesma de sempre: procure na lista de ingredientes qual forma de magnésio a fórmula usa e quantos mg de magnésio elementar há por porção.
A mesma pegadinha do elementar vale para outros minerais — zinco, cálcio, ferro e cromo também aparecem como compostos (bisglicinato, picolinato, citrato) cujo peso total é maior que o do mineral em si. O %VD resolve a comparação em todos eles.
Ômega-3 — a soma que interessa é EPA + DHA
"1.000 mg de óleo de peixe" é a informação menos útil do frasco. EPA e DHA são os ácidos graxos que concentram o interesse dos estudos — e são o que se compara no rótulo.
o número de comparação = EPA + DHA por dose diária
O exemplo que muda a escolha
| Exemplo ilustrativo | Óleo por cápsula | EPA + DHA por cápsula | Cápsulas para 1.000 mg de EPA + DHA |
|---|---|---|---|
| Óleo comum | 1.000 mg | 300 mg | 4 cápsulas (aprox.) |
| Óleo concentrado | 1.000 mg | 660 mg | 2 cápsulas (aprox.) |
Mesmo tamanho de cápsula, o dobro de rendimento. Por isso o frasco "mais barato" pode custar o dobro por grama de EPA + DHA — a conta certa divide o preço pelo total de EPA + DHA da embalagem, não pelo número de cápsulas.
O que mais conferir
- Forma triglicerídeo (TG): quando o óleo passa por reesterificação para voltar à forma triglicerídeo, o rótulo declara — é um diferencial de matéria-prima que os fabricantes fazem questão de exibir.
- Cápsulas por dose: alguns produtos precisam de 2 a 3 cápsulas para a dose declarada. Isso muda o rendimento real do frasco e o preço por dose.
- Certificações de pureza e frescor (como IFOS) e proteção contra oxidação: óleo oxidado tem sabor e odor rançosos — embalagem escura e antioxidantes na fórmula são bons sinais.
Colágeno — dois produtos diferentes com o mesmo nome
Aqui mora a maior confusão de categoria da loja de suplementos: colágeno hidrolisado e colágeno tipo II não desnaturado são produtos diferentes, com doses em escalas diferentes — um trabalha em gramas, o outro em miligramas. Comparar os dois por peso é comparar alqueire com litro.
Colágeno hidrolisado (peptídeos)
- Gramas de peptídeos por dose: o número de comparação — tipicamente na faixa de 2,5 a 15 g, conforme a proposta do produto.
- Matéria-prima com marca registrada: Verisol®, Peptan®, BODYBALANCE® e similares indicam peptídeos específicos estudados em doses definidas — quando presentes, o rótulo declara. Confira se a dose do produto bate com a dose da matéria-prima.
- Vitamina C na fórmula: a vitamina C auxilia na formação do colágeno — por isso tantas fórmulas a incluem. Veja se a sua já traz.
Colágeno tipo II não desnaturado
- Trabalha em doses de miligramas (a referência dos estudos é 40 mg/dia) — o pote é pequeno porque a dose é pequena, não porque rende menos.
- No rótulo, aparece como "colágeno tipo II não desnaturado" ou pela sigla da matéria-prima (como UC-II®).
Colágeno é proteína, mas de perfil incompleto — não substitui a proteína das refeições nem a whey na conta diária. Compare colágeno com colágeno.
Probióticos — a etiqueta com sobrenome
Probiótico bom se apresenta com nome completo. O rótulo de referência declara três coisas:
- UFC por dose: as unidades formadoras de colônia (tipicamente na casa dos bilhões) são o número de comparação. O detalhe fino: o valor deve valer até o fim da validade, não só na data de fabricação — rótulos criteriosos especificam.
- Cepa completa: gênero, espécie e código de cepa — por exemplo, Lactobacillus rhamnosus GG. É a cepa, não só a espécie, que carrega os estudos. Rótulo que diz apenas "blend de lactobacilos" está contando meia história.
- Conservação: alguns exigem refrigeração, outros são estáveis em temperatura ambiente por tecnologia de encapsulamento. Isso muda transporte e armazenamento em casa.
Mais UFC não significa automaticamente melhor: cepas diferentes são estudadas em contagens diferentes. Compare produtos de mesma cepa pela UFC garantida — e fórmulas multicepas pela lista completa de cepas declaradas.
Cafeína e pré-treinos — miligramas na mesa
A cafeína é o ativo mais transparente de um pré-treino: o rótulo declara os mg por dose, e é esse número que você administra ao longo do dia — somando café, chás e outros suplementos que também a contêm.
- mg de cafeína por porção: os produtos no mercado variam tipicamente de 100 a 400 mg por dose. Sensibilidade é individual: quem sente o sono mudar com um café à tarde deve olhar esse número com atenção redobrada.
- Cafeína anidra: a forma concentrada em pó, padrão dos suplementos — o nome no rótulo muda, a molécula é a mesma do café.
- O resto da fórmula: beta-alanina (veja a dose real e o formigamento esperado, acima), citrulina, taurina — cada pré-treino é uma receita própria.
Fórmulas compostas não se comparam por preço por dose entre marcas — receitas diferentes não disputam a mesma régua. Compare primeiro os ativos e as quantidades; o preço por dose responde apenas "quanto custa cada treino" do produto que você já escolheu. A conta completa está no guia Preço por dose.
Vitaminas e minerais — a régua universal é o %VD
Vitaminas mudam de unidade (UI, mcg, mg) e minerais mudam de forma — mas todo rótulo brasileiro traz o %VD, o percentual do valor diário de referência. É a régua que permite comparar qualquer marca com qualquer marca.
- UI e mcg são a mesma coisa em escalas diferentes. Na vitamina D, 1 mcg = 40 UI — um rótulo com "50 mcg" e outro com "2.000 UI" declaram a mesma dose.
- Forma da vitamina: a vitamina D aparece como D3 (colecalciferol) ou D2; a K como K1 ou K2 (e a K2 em subtipos como MK-7). O rótulo sempre declara — compare formas iguais.
- Minerais: vale a regra do elementar explicada na seção do magnésio — o %VD já faz essa conta por você.
- Multivitamínicos são fórmulas compostas: compare a lista de nutrientes e os %VD de cada um, não o número de cápsulas do pote.
A tabela-resumo: o número que compara
| Ingrediente | O número que compara | A armadilha comum |
|---|---|---|
| Creatina | g de creatina (preço por grama) | Blends com carboidrato inflando o pote |
| Proteínas | g de proteína por dose (e a fonte) | Comparar pelo peso do pó, não da proteína |
| Glutamina / beta-alanina | g do ativo por dose | Dose de rótulo menor que a dos estudos |
| Magnésio e minerais | mg elementar + %VD | Peso do composto vendido como peso do mineral |
| Ômega-3 | EPA + DHA somados por dose | "1.000 mg de óleo de peixe" com 300 mg úteis |
| Colágeno hidrolisado | g de peptídeos por dose | Comparar com tipo II, que trabalha em mg |
| Probióticos | UFC no fim da validade + cepa completa | "Blend de lactobacilos" sem cepa declarada |
| Cafeína / pré-treinos | mg de cafeína (e cada ativo) por dose | Comparar fórmulas diferentes por preço por dose |
| Vitaminas | %VD por porção | Confundir UI com mcg entre marcas |
Como encontrar aqui na loja
Três caminhos, do mais rápido ao mais completo:
- Busca pelo ingrediente no topo do site — ela encontra por título, descrição e marca.
- Coleções por ingrediente: creatina, proteínas, magnésio, ômega-3, colágeno, aminoácidos, pré-treinos e vitaminas & minerais — com filtros para refinar por marca e formato.
- A página de cada produto traz tabela nutricional, lista de ingredientes e alergênicos em texto completo — todos os números citados neste guia estão lá, como mostra o guia Como ler o rótulo. E o preço aproximado por dose já aparece calculado no catálogo.
Para doses e escolhas do seu caso específico, quem calibra é um nutricionista ou médico de sua confiança.
Referências
- Kreider RB, Kalman DS, Antonio J, et al. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine. J Int Soc Sports Nutr, 2017. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28615996
- Trexler ET, Smith-Ryan AE, Stout JR, et al. International Society of Sports Nutrition position stand: beta-alanine. J Int Soc Sports Nutr, 2015. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26175657
- Hill C, Guarner F, Reid G, et al. The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics consensus statement on the scope and appropriate use of the term probiotic. Nat Rev Gastroenterol Hepatol, 2014. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24912386
- ANVISA. Instrução Normativa nº 28/2018 — listas de constituintes, limites de uso e alegações autorizadas para suplementos alimentares (e atualizações). Disponível no portal gov.br/anvisa.
- Fichas técnicas de matéria-prima citadas no guia Preço por dose (leucina por grama de proteína em whey concentrada e isolada).